É com muita honra e agrado que a U.Porto acolhe o VII Congresso Ibero-americano de Docência Universitária (CIDU). Trata-se de uma iniciativa que nos merece a maior estima, na medida em que promove a análise, reflexão e debate de questões cruciais para o futuro do ensino superior. A U.Porto preza muito a discussão de ideias viradas para o futuro, em particular das que encaram de frente os desafios que a contemporaneidade acarreta para as universidades.

Na qualidade de anfitriões, cabe-nos dirigir ao público em geral e, em particular, aos docentes do ensino superior do espaço Ibero-americano o convite para estarem presentes no VII CIDU. À semelhança de edições anteriores, o congresso afigura-se como uma excelente oportunidade para estreitar relações, trocar experiências e partilhar conhecimentos entre os diferentes protagonistas do mundo académico.

Neste sentido, o VII CIDU é um sinal de vitalidade das universidades ibero-americanas e respetivos docentes/investigadores numa conjuntura particularmente instável para o ensino superior e para as sociedades ocidentais na sua globalidade. Assistimos hoje a mudanças de paradigma em várias áreas da atividade humana, com repercussões diretas ou indiretas no quotidiano das instituições universitárias. Por conseguinte, o debate sobre o ensino superior é imperioso, pertinente e deveras estimulante.

Temos o maior gosto em receber os participantes no VII CIDU. Tudo será feito para assegurar que a presença no evento seja intelectualmente enriquecedora, que a estadia na cidade do Porto se revele bastante agradável e que a passagem pela U.Porto abra portas a um mais forte relacionamento com a instituição.

Apesar das suas origens remontarem ao século XVIII, a U.Porto foi oficialmente fundada a 22 de março de 1911. No ano em que completa o seu primeiro centenário, a nossa Universidade é a instituição portuguesa do ensino superior com maior número de estudantes (cerca de 31.000), além de ter uma atividade científica muito relevante que se traduz na publicação anual de alguns milhares de artigos em revistas indexadas.

Convidamos igualmente os participantes do VII CIDU a desfrutarem da riqueza patrimonial, arquitetónica, cultural e humana da cidade do Porto. Descobrir a nossa cidade é fonte de muitas surpresas. Quem visita o Porto pode encontrar vestígios da época medieval; diversas obras-primas dos estilos Românico e Barroco; edifícios neoclássicos e neogóticos; o casario ribeirinho que deu à cidade o título de Património da Humanidade; alguma da melhor arquitetura contemporânea; bem como as pontes que unem as margens do monumental Rio Douro.

Mas a nossa cidade é conhecida sobretudo pela forma calorosa como acolhe quem a visita, deixando um travo de saudade antecipada na hora da partida. Estou certo que assim acontecerá com os participantes deste grande evento!

Resta-me terminar reiterando o convite a todos os interessados em participar no VII CIDU. Aproveito ainda para agradecer, pessoal e institucionalmente, à senhora professora Carlinda Leite (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto) e ao senhor professor Miguel A. Zabalza (presidente da AIDU – Asociación Iberoamericana de Docencia Universitaria), que superiormente encabeçam a organização do congresso.  

José Carlos Marques dos Santos
Reitor da Universidade do Porto


Colegas,

O VII Congresso Iberoamericano da Docência Universitária realiza-se em 2012 na Universidade do Porto, organizado pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUP) e o Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE). Estamos a trabalhar para serem criadas condições que permitam fazer deste Congresso um grande evento, marcado pela qualidade académica, pela qualidade do ambiente vivido e pelas oportunidades de reflexão e de partilha da inovação.

Vivendo o ensino superior, em geral, momentos que reclamam um debate aprofundado a que, em alguns dos países europeus, acresce a vivência da adequação ao Processo de Bolonha, nomeadamente no que nele é apontado para o exercício da docência, impõe-se trazer para a agenda do debate académico reflexões sobre os caminhos que estão a ser seguidos, efeitos que estão a ser gerados e possibilidades de inovação. Daí subordinarmos o Congresso à temática “Ensino Superior – inovação e qualidade na docência”.

Sendo este Congresso realizado pela primeira vez num país de língua portuguesa, espera-se que tenha uma forte participação de colegas que têm esta como primeira língua e que se associam a colegas de outros países do espaço Iberoamericano. Espera-se também que o Congresso constitua um momento de encontro de docentes das várias áreas do saber e das várias especialidades. Para isso, contamos com a colaboração quer da AIDU, quer de colegas pertencentes a instituições deste amplo espaço geográfico. O português e o espanhol, enquanto as duas línguas do Congresso, têm nela igual destaque pois queremos viver situações que nos aproximem cada vez mais e que permitam ampliar as redes académicas existentes.

Por outro lado, para quem não conhece a cidade do Porto, a participação neste Congresso ficará também marcada pela beleza que vão encontrar nos momentos históricos, nas margens do rio Douro ou do Oceano Atlântico e na vivência das ruas da cidade. Estas experiências vão também por certo deixar marcas muito positivas. Organizámos o Congresso a coincidir com a oportunidade de todos os participantes viverem a tradicional festa de rua do S. João. Aconselhamos a que não percam a

experiência da véspera de S. João (23 de Junho) à noite nas ruas do Porto.

Em síntese, sintam-se todos e todas convidados/as e desejados/as para connosco viverem esta oportunidade académica e humana.

Carlinda Leite
Professora Catedrática da Faculdade de Psicologia e das Ciências da Educação da Universidade do Porto
Presidente do VII Congresso Iberoamericano da Docência Universitária


Un nuevo ciclo de dos años y ya estamos, una vez más, aquí. En esta ocasión en la ciudad de Porto, Portugal, y acogidos por una de las más prestigiosas universidades portuguesas, la Universidade de Porto. Si en el saludo de la VI convocatoria escribía que nos sentíamos orgullosos de haber llegado a ella, nuestra satisfacción y orgullo se ha acrecentado un poco más al poder convocar a todos nuestros amigos a un nuevo encuentro en el año 2012,  año en el que celebraremos nuestro VII Congreso CIDU.

No son buenos momentos. La crisis económica y de ideas en la que venimos debatiéndonos en los últimos años ha acabado por impregnar todos los espacios de la vida social, incluidas las universidades. Políticos y responsables académicos se ven atenazados por las dramáticas circunstancias en que deben desarrollar sus proyectos universitarios. El profesorado se debate entre la incertidumbre  con respecto al futuro y la nostalgia en relación al pasado. Con la espada de Damocles de los “mercados” sobre la cabeza el mundo se nos ha hecho, en palabras del escritor peruano Ciro Alegría, ancho y ajeno. Y en esas estamos. “Lo que me preocupa, escribía Javier Marías en el periódico español El Mundo (17-8-2011), es que en España todos se preguntan ¿qué va a pasar?, y nadie se pregunta ¿qué vamos a hacer?”.

Pero a AIDU y a quienes formamos parte de la Asociación sí que nos preocupa qué vamos a hacer. De hecho, no hemos tenido ninguna duda en que nuestro Congreso bianual debía continuar e, incluso, reforzarse. Tampoco tenemos dudas con respecto al importante papel que a la universidad le tocará jugar para salir de la crisis. Aunque su capacidad de impacto es siempre a medio plazo, la reconstrucción de la solidaridad social y de la competencia técnica de los países van a estar vinculados a la forma en que la Educación Superior afronte el compromiso de la formación de los futuros profesionales y ciudadanos.

De ahí que nuestro VII Congreso versará sobre Educación Superior: innovación y calidad de la docencia. En ese título, la palabra clave, incluso más que la de calidad, es la de innovación. La universidad, nuestra universidad, ha sido brillante y transformadora solo en los momentos en que ha sido innovadora. “Libertas perfundet omnia luce”, la libertad ilumina todas las cosas,  ése fue y debería seguir siendo era el lema básico de las universidades. A medida que han ido incrementándose las legislaciones y la normativa, a medida que la burocracia se ha ido adueñando de los procesos, a medida que se ha ido fijando un discurso de lo políticamente correcto y penalizando las desviaciones del mismo, a medida que el profesorado se ha limitado a cumplir sus obligaciones, la universidad ha dejado de ser un espacio de debate y creación. Y eso ha provocado que, salvo honrosas excepciones, el impulso hacia la transformación social, hacia la renovación intelectual y  hacia la creación artística y técnica no se encuentre hoy en día en la universidad sino en otros escenarios sociales. Necesitamos recuperar más protagonismo social de las universidades, más compromisos con el desarrollo cultural y social de las comunidades a las que pertenecemos. Sin pretender ilusorias utopías pero sin decaer en viejas nostalgias. Una universidad fuerte, atractiva, ilusionante. Un Congreso no hace milagros pero puede poner su granito de arena. Eso es lo que nos gustaría.

Y como ha sucedido en todas las convocatorias anteriores, junto a los propósitos académicos, el encuentro de Porto será una vez más la oportunidad de llevar a cabo un encuentro privilegiado del gran grupo de amigos que se ha ido generando en torno a AIDU y a los sucesivos CIDUs. Gentes de muy diferentes países, instituciones y carreras que creen en la Educación Superior y disfrutan compartiendo su experiencia y sus anhelos. Porto es, además, una ciudad de una hermosura chocante y atrapadora. Reúne las características básicas de las ciudades más bellas del mundo: agua que la rodea, montañas que la elevan, historia que la avala y le da sabor y misterio, gentes acogedoras y amigas que te hacen sentir como en tu propia casa. Un full. La experiencia de Porto, como lo fue hace dos años la de Lima y antes todas las que le precedieron, será extraordinaria. Por lo que a los organizadores respecta, haremos todo cuanto esté en nuestra mano para que así sea. Prometido.

Miguel A. ZABALZA
Catedrático de Didáctica y Organización Escolar de la Universidad de Santiago de Compostela
Presidente de AIDU (Asociación Iberoamericana de Docencia Universitaria)